A graça de ser quem é

 Todos os dias acordamos diferentes e escolhemos continuar assim. O funcionamento peculiar demonstra algo que é como o estilo de cabelo feio, mas que todas as quarentonas escolhem. O pior: todo mundo acha que tá sendo diferente e potente, e digo mais, será que não estamos?

Esses dias parei pra pensar nas escolhas diárias que tornam a via mais legal. Como o dia que escolhi viajar pro Peru sozinha. Sem falar espanhol bati papos profundos e negociei tudo e mais um pouco. Antes da viagem decidi mandar mensagem para duas mulheres que estavam na cidade: uma viajante e uma blogueira. Fiz amizades pelo Instagram e elas me mostraram um pouco de Cusco. Inicialmente conheci a viajante e logo logo vimos pessoas interessantes e pudemos criar uma conexão. Interessante perceber sua curiosidade também sobre o fato de eu ter tido feito o retiro de silêncio por 12 dias no interior do Rio. Aliás acho que o crime já preescreveu, logo logo escrevo sobre essa experiência por aqui.

Nessa viagem conheci loucos e sonhadores. No fim me descobri em ambos os adjetivos e pude ver uma versão de mim sem filtros: sou sim extrovertida. Falei com gente em aeroportos, restaurantes, festas, ruas, praças e tudo o que tinha direito. No mundo nunca se está de fato sozinho. Quando algo não dava certo, o que aconteceu algumas vezes, meu primeiro reflexo é rir. Rio porque só sofre quem está vivo. E que maravilha é poder estar vivo. Mesmo depois de situações desesperadoras a vida segue. Lembro de quando quase morri afogada, quando não passei no IFES no nono ano, quando passei na USP e precisei cancelar minha matrícula, quando precisei sair de casa, quando terminei meu relacionamento, quando parei de falar com meu pai...e tantas outras situações que pensei que ia morrer. Mas aqui estou.

Tantas alegrias vem depois da dor. Mas você precisa seguir para conseguir vivenciá-la.

Um dos erros dessa viagem foi não ter levado dinheiro físico, apenas cartão. O ato de comprar foi dificultado 200% e por um lado acho que gostei disso. Não fui com dinheiro extra para gastar e isso me protegeu de certa forma. Um dia estava sentada na pracinha de Cusco observando o tempo e as pessoas. Infelizmente a todo momento alguém tenta te vender algo, os efeitos do turismo lá podem ser observados pelos mesmos sintomas que em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Gringos bancando a economia e preços exorbitantes em temporadas de alta.

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