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A graça de ser quem é

 Todos os dias acordamos diferentes e escolhemos continuar assim. O funcionamento peculiar demonstra algo que é como o estilo de cabelo feio, mas que todas as quarentonas escolhem. O pior: todo mundo acha que tá sendo diferente e potente, e digo mais, será que não estamos? Esses dias parei pra pensar nas escolhas diárias que tornam a via mais legal. Como o dia que escolhi viajar pro Peru sozinha. Sem falar espanhol bati papos profundos e negociei tudo e mais um pouco. Antes da viagem decidi mandar mensagem para duas mulheres que estavam na cidade: uma viajante e uma blogueira. Fiz amizades pelo Instagram e elas me mostraram um pouco de Cusco. Inicialmente conheci a viajante e logo logo vimos pessoas interessantes e pudemos criar uma conexão. Interessante perceber sua curiosidade também sobre o fato de eu ter tido feito o retiro de silêncio por 12 dias no interior do Rio. Aliás acho que o crime já preescreveu, logo logo escrevo sobre essa experiência por aqui. Nessa viagem conheci l...

Impariamo cosa?

Da quasi due anni imparo l’italiano. La verità è che non sono se imparo le parole. 

It happened.

 Yesterday I hung up a portrait on my wall. When putting it on, I felt like the decoration wouldn't be there for much longer. It was kind of loose, it didn't quite fit. This situation got me thinking that sometimes we try just to have the pleasure of doing something. If it doesn't last, at least it happened, at some point, around for some time. Life and it´s intrinsic instability, pain will always surrender (as Budha said to us a long time ago). When playing a song on the guitar, cooking a delicious meal or simply taking a long shower some refreshing feeling takes over me.The fact these activities must be done all over again get in the frame of my mind. In the end, should we really mind it? Isn´t an interesting part of life it´s cicles and routines?  "I can always try tomorrow" We can always try tomorrow. Falling in love seems like a very hard activity for me. Just like making my bed, sweeping the dust from the floor or simply doing the laundry and the fact...

Seashells and Their True Belonging

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Once I had the habit of gifting people with seashells Today I went to the beach and started, almost automatically, to pick up seashells. The sea line was near, the water was cold. The view was amazing. A dark blue pictured the feeling of coziness and fear at the same time: time is passing by. I felt grounded, fully aware of the simple yet profound gift of being alive. I felt centered by the awareness of being alive. In the moment I got them collected, someone was drawn into my memory, and one question was also brought up: "Who am I gifting with this? Who deserves to be loved by me through this?" Just today my conscience made me acknowledge I was giving people something that wasn’t even mine in the first place. How dare I?  Maybe that's the cool part of experiencing places. We can’t bring back the Egyptian pyramids, the snow from Canada, and the joy you felt when spending time in Disneyland. Life can’t be held in someone’s jar. Someone I love told me yesterday that maybe, ...

Textos que já enviei: por que se presenteia o outro?

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Querida X  Uma vez você me perguntou o porquê de estar te presenteando. Depois de refletir um pouco, acho que sei a resposta pra te dar:   Gosto de demonstrar que amo enquanto sinto.  Muitos esperam para permitir que o outro saiba sobre seus sentimentos em momentos únicos e especiais: no final de ciclos ou em datas comemorativas. Que momento seria mais especial que o hoje? Para mim todo dia é um presente. Todo dia é especial e único. E constantemente me emociono por estar sendo orientada por ti. Grande honra! Sou orientada na pesquisa, mas também sinto que aprendo algo de muito raro com você: a ser pessoa.         A recuperação do sentido de nosso ofício de mestre não passará por desprezar  a função de ensinar, mas reinterpretá-la na tradição mais secular, no ofício  de ensinar a ser humanos.  Podemos aprender a ler, escrever sozinhos, podemos aprender geografia e a contar sozinhos, porém não aprendemos a ser humanos se...

Textos que já enviei: a interação com o outro

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Querido X Ao ouvir uma música que conheci porque me enviou, hoje pensei sobre o porquê de certas músicas mexerem tanto aqui dentro. 🎶:  https://open.spotify.com/ track/2ScAPgiv2nJmADqClv28ce? si=dqUhroEJR2aiyAQYzOjj1w Nessa imagino que seja porque explicita o grande acaso que é se relacionar com alguém. Dentre todas as muitas pessoas, há encontro. Há escolha e aleatoriedade. Além disso, demonstra o momento e a matéria-prima para que uma relação comece: certa vontade. “Se eu não te contar, você nunca vai saber de mim.” Em toda a música, a dinâmica do contato é explorada em suas múltiplas possibilidades: pode haver desencontro, encontro, procura por saber e até mesmo a quebra da confiança que baseia a interação. *1 "Se eu te contar, não vá espalhar por aí" A possibilidade de haver ruptura do laço que intencionalmente se criou, me assusta. Mas acordos são mutáveis, assim como tudo da vida. Daí talvez a preciosidade que é investir em alguma relação: nada se tem, tudo é apenas (e...

Textos que já enviei: mar sem sol

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Assunto: O sol que em mim está  Querido X Você me pergunta o porquê de eu ir a praia constantemente. Mesmo  quando não há sol, o porquê de eu fazer isso comigo mesma. Vou à praia pelo mar, não pelo sol. O sol se torna secundário, pois sinto que, de certa maneira, ele precisa estar em mim. Não posso depender de elementos externos, como o sol, para conseguir ir a espaços. Nunca fui a pessoa que espera o clima para procurar satisfazer algo em mim. Não diria desejo, visto que esse termo parece carnal e, por isso, um pouco frívolo. O que sinto é algo que se justifica de todas as formas possíveis, já que analiso de maneira racional previamente, durante e depois e mesmo assim não vejo motivos para me impedir. Além disso, há satisfação interna com esse tipo de atitude. São os quinze segundos durante a apresentação de um projeto trabalhoso, os primeiros minutos durante um mergulho ou os segundos nos quais sinto o vento mexer com meus cabelos diante o mar. Isso me cativa. Nesses pequeno...

Leitura de textos: "Livro do desassossego" de Fernando Pessoa

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  Link áudio texto "Livro do desassossego" de Fernando Pessoa 112. "Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém.  É um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é abjeto, mas, em exata verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana. As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois "amo-te" ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstrata ...

Fashion Film

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                  Algumas das fotos feitas no dia de gravação:                    

Leitura de poesia: "Nada explica, nem consola"

 Nada explica, nem consola "Aqui está-se sossegado Longe do mundo e da vida, Cheio de não ter passado Até o futuro se olvida. Aqui está-se sossegado. Tinha os gestos  inocentes Seus olhos riam no fundo,  Mas invisíveis serpentes  Faziam-a ser do mundo. Tinha os gestos inocentes. Aqui tudo é paz e mar. Que longe a vista se perde Na solidão a tornar Em sombra o azul que é verde! Aqui tudo é paz e mar. Sim, poderia ter sido... Mas vontade nem razão O mundo têm conduzido A prazer ou conclusão.  Sim, poderia ter sido... Agora não esqueço e sonho. Fecho os olhos, ouço o mar E de ouvi-lo bem, suponho Que vejo azul a esverdear. Agora não esqueço e sonho. Não foi propósito, não Os seus gestos inocentes Tocavam no coração Como invisíveis serpentes. Não foi propósito, não. Durmo, desperto e sozinho. Que tem sido a minha vida? Velas de inútil moinho - Um movimento sem lida... Durmo, desperto e sozinho. Nada explica nem consola. Tudo está certo depois. Mas a dor que nos deso...

Música autoral: Amigas de escola

 Na escola de muro azul  (outubro de 2021)

Música autoral: Sóbrio

  Sóbrio  (setembro de 2022) "Bom reconhecer quando você começa a cantar Seja pra mim, pra você, sei lá... Difícil é você parar pra escutar Não falar Se calar e estar.. Sempre lá, nunca aqui Sempre a falar, nunca a ouvir  Me apago pra estar por ti  Mas não sei se vou resistir A essa dor, que me invade Acho que já vou, já tá bem tarde né Sabemos que não vai sentir falta Sempre tem mais alguém na sua porta Sempre tem mais algum rolê Sempre tem mais alguém pra beber  Se entorpecer  E no fim correr de si mesmo... Acho que o que você tem é medo De estar sóbrio Ver o óbvio Contemplar a vida, além da bebida Além da saída  Depois do carnaval vem Essa dor, que me invade Acho que já vou, já tá bem tarde né Sabemos que não vai sentir falta Sempre tem mais alguém na sua porta Sempre tem mais algum rolê Sempre tem mais alguém pra beber  Se entorpecer  E no fim de si mesmo correr Espero que no futuro melhor você possa ver" cifra:  Daquela Noite Pra Tr...

Resenha de filme: Curta dinamarquês "Flee"

 Nessa animação a vida de Amin nos é apresentada por meio de entrevistas dadas por ele a um amigo de infância. Decerto ele passou por muitas situações que tem o poder de dilacerar pessoas por suas influências pejorativas nelas. A maior estrutura que o endurece quanto ao ato de simplesmente ser em sociedade é o fato de ter entrado na Dinamarca de maneira ilegal e não poder assumir a existência de sua família, visto eles terem pago traficantes para sua chegada ao país vindo da Rússia. Conquanto o tom sério perpassa toda obra, ela não é angustiante de maneira definitiva. Tirei como moral dela que independentemente de tudo que tenha acontecido com alguém, o indivíduo pode ainda ser feliz após a dor. Essa não limitação as pessoas apesar de suas situação prévia é fantástica. Me dá um pouco de esperança diante a vida. Não necessariamente sobre mim, fui/sou bem resguardada por pessoas que me dão o prazer de ser, de uma forma ou de outra, cuidada por elas.  Ademais, penso sobre quais t...